Saturday, May 28, 2011

hora da ficha cair

Agora sei, ou pelo menos acho que, o que estou passando nesta volta da viagem. 
Uma sequência de etapas: 
- stress (a doença desde 2008 do Nelson e sua quimioterapia no ano passado), 
- estado de choque (a sua morte súbita)
- mais stress (piora do Nelson e mais uma operação, quando não era pra ter nada, pois com tanta quimioterapia, por que isto agora?)
- dormência: parece que minha cota de sofrimento chegou ao limite máximo, e depois disto, só há dormência. Dormência de sentir, dormência de sofrer, dormência de pensar... a cabeça consegue fazer coisas banais, como ver desenho animado na TV, lavar toda a louça... Ler um livro exige uma concentração impossível: estava com 4 livros lidos pela metade. Dormência, falta de ânimo nem pra sair. Só comer. 
- parênteses para respirar: viagem
- e agora: voltar e encarar de frente a realidade que me assusta: a sua morte e a doença do Nelson. Cara a cara. Não dá pra fugir, só tem um jeito: encarar.

É hora de a ficha cair.

Mas apesar de saber que ce morreu, to estranhando que a gente não tem se falado... ce não me manda email.

A ficha está caindo. Realizing what happened.

É física, ou espiritual, ou psicológica esta falta. To te aguardando, olha que loucura. É como se tivesse havido um erro, não era teu aquele corpo que acharam: você vai me aparecer por agora, e tudo voltará a ser o que era. Houve um enorme erro. Sinto que to precisando ir pra Friburgo, não te ver me esperando na estação, não comer contigo nos Amigos do Julio, não estar contigo. Acho que to precisando ir e visitar a sua sepultura, e ler bem devagar e alto: Mario Jansen.

É desconcertante. Tenho pensado em você a toda hora, lembrando coisas. Andando por Santa Teresa, é você o tempo todo. Lá embaixo também. Queria mudar de bairro. Queria mudar de cidade. Ou país. Ao mesmo tempo que lembrar de você me dói, é gostoso, porque é a maneira que tenho de ter ter.

Mas não quero ficar assim pra sempre. Como fazem as pessoas pra recomeçar? e se conformar? e continuar vivendo?? como?

O pior de tudo é este absurdo, gélida lucidez dos fatos.

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