Mario, tanta coisa aconteceu desde a última vez que te escrevi. Fui pra Florida visitar a Suzy. Cheguei exatamente no dia do aniversário dela. Ela foi me buscar no aeroporto, junto com a Maína, que também estava lá de visita por uma semana. Uma verdadeira reunião familiar, só faltou mesmo a Lili, que quase que apareceu na última semana. E claro, meu sobrinho Mike.
Mas Mario, foi tão bom!
Resolvi em cima da hora. Comprei a passagem 6 dias antes da viagem. Pois ce sabe, Nelson operou no meio de março e as semanas seguintes foram difíceis, eu não sabia se iria conseguir viajar... como ele estaria... efeitos colaterais... reações adversas... eu mesma estava muito tensa... se eu estava pronta pra fazer uma viagem... fiquei com medo de passar mal no avião, ou na conexão, ou mesmo lá... ce sabe como tenho medo, pavor de avião, né? mas eu precisava tanto dar uma arejada. Tua morte e o consequente fim dos meus planos futuros, a piora do Nelson, tudo me deixou muito mal, e estava a ponto de “passar pro outro lado”, sabe? a linha entre lá e cá é muito tênue, não tem aviso prévio, e quando ce vê, ce já foi e nem reparou. Depois, voltar é que é o problema.
Senti que pior do que estava não podia ficar... e se eu tivesse coragem, iria ser tão bom.
E foi.
Percebi mudanças em mim. Primeiro, que fui, estive e voltei sem um arranhão. Sem somatizar nenhuma enfermidade. Caraca, haja força!!!
Segundo, que o medo do avião ficou menor depois de sua morte. Você morreu (ainda me soa absurdo e irreal esta afirmação) no lugar que te abrigava, te acolhia, te aconchegava, te nutria. Justamente no lugar em que ce mais sentia seguro, seu castelo, sua fortaleza. Ali você era inteiro. Você confiava. Você fez a casa que te caiu em cima. Você reflorestou o morro que te esmagou. Tem sentido? nenhum. Não foi num avião, não foi voltando de madrugada, dirigindo na estrada pra Friburgo, depois de um show no Rio (coisa que ce ventilou que pudesse acontecer, tanto é que me deu a cópia de suas chaves), ou mesmo de uma ataque cardíaco, um piripaque fatal qualquer, e como morava só, só iriam descobrir tarde demais. E então? senti que a morte não tem sentido, não há como controlar e, pelo que sei e entendo, não há previsão nem merecimento. É uma loteria, um sorteio de azar.
Segundo, que o medo do avião ficou menor depois de sua morte. Você morreu (ainda me soa absurdo e irreal esta afirmação) no lugar que te abrigava, te acolhia, te aconchegava, te nutria. Justamente no lugar em que ce mais sentia seguro, seu castelo, sua fortaleza. Ali você era inteiro. Você confiava. Você fez a casa que te caiu em cima. Você reflorestou o morro que te esmagou. Tem sentido? nenhum. Não foi num avião, não foi voltando de madrugada, dirigindo na estrada pra Friburgo, depois de um show no Rio (coisa que ce ventilou que pudesse acontecer, tanto é que me deu a cópia de suas chaves), ou mesmo de uma ataque cardíaco, um piripaque fatal qualquer, e como morava só, só iriam descobrir tarde demais. E então? senti que a morte não tem sentido, não há como controlar e, pelo que sei e entendo, não há previsão nem merecimento. É uma loteria, um sorteio de azar.
Terceiro, que estou valorizando cada vez mais o presente. Eu já falava, já sentia, mas agora isto ficou como sendo a única maneira de viver. Viver como se fosse morrer amanhã. Mas não é perder a cabeça, beber até cair, fazer loucuras, que nem diz aquele samba do Assis Valente “E O Mundo Não Se Acabou”. Pelo contrário: é aproveitar o tempo que me resta, que pode ser uma hora, um mes, um ano ou mais, se tiver sorte.
Porque cada vez mais, a vida depende de uma pitada de sorte.
No comments:
Post a Comment