Monday, August 1, 2011

força avassaladora

Nelson melhorou esta semana. Continua com dor, mas não é aquela que desespera. Toma o remédio e não faz efeito. Não. Então to mais leve. Hoje consegui dar uma caminhada ao Silvestre, o dia está claro e bom, meio nublado, solzinho tépido, vai e vem entre nuvens, to de manga comprida.

Sinto que a hora de subir pra Friburgo está chegando. Acho que to mais forte.

Avassaladora é a força da vida presente: chega carregando tudo que encontra pela frente. A força da vida que acontece a cada dia, da vida que me mexe, da vida que me faz suar, da vida que traz novos acontecimentos, da vida que me faz rir, da vida que me encanta, da vida que me faz repensar, da vida que exige meu trabalho, minha dedicação, da vida que me dá medos, da vida que me usurpa de qualquer devaneio, não me deixa ficar paralizada ante uma dor que aconteceu há tempos (mas que permanece com a ferida aberta doendo tanto), da vida que me sequestra do meu canto autista pra me jogar no mundo, da vida que me agarra e me leva embora, me sacode e me diz: EU SOU O PRESENTE, e me mente (e acredito): SOU A ÚNICA COISA QUE EXISTE.

Como acho que estou podendo ir a Friburgo e antes eu não tinha condições? a dor que senti e continuo a sentir com sua morte é, ainda hoje, tão grande... a sua falta é tão silenciosa e pesada. Não entendo e não aceito e não me conformo com o que aconteceu. Tudo continua igual.... mas seis meses se passaram, e o presente faz com que a sua morte seja mais um capítulo na minha história, um capítulo de terror. O mais trágico. A cada dia sua morte me molda, me muda, me transforma, soa na minha voz, transparece no meu olhar, cria uma nova pessoa. Mais forte, porque precisa sobreviver. Mais dura? mais fria? ainda não sei, ainda não sei dizer, porque ainda não conheço o ser que está nascendo. Mas precisa sobreviver.

Ou... será que não convém sobreviver???? resposta a ser pensada, aceitando respostas alheias...

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