Esta madrugada me acordou com uma chuva torrencial lá fora. Parecia uma cachoeira descendo pelas escadas, do lado da minha janela. Tonéis de água, água, água. Uns raios poderosos rompantes no céu faziam tudo tremer, mas mesmo sem vê-los, sabia pelo som que eram daqueles de nuvem pra nuvem: ficam aqueles desenhos costurando na horizontal, mas nenhum cai na terra com aquela violência elétrica descarregando o universo irado. O ar condicionado tinha parado, e a luzinha da noite estava apagada, donde concluí que estávamos sem luz. Não preciso nem dizer mas digo: num cenário como este, sem querer, se não to pensando em você, passo a pensar, e se estava pensando, penso com toda a força. Como deve ter sido angustiante suas últimas horas. Parece que o aconteceu em Friburgo foram horas e horas de chuva. Chuva bíblica, dilúvio de Noé, primeiro testamento. Como deve ter passado coisa na sua cabeça. Você em algum momento pensou em sair de sua casa e ir pra outro lugar? acho que não, pois lá era um lugar seguro... onde poderia ser mais seguro que ali? e como estaria a rua? carros sendo levados, o Rio Bengala já fora de seu leito,carregando tudo que encontrava pela frente... estamos falando do centro de Friburgo, área nobre.
Será que ce sentiu medo?
Perguntas que não canso de perguntar.
Minha madrugada de tempestade virou uma manhã chuvosa, depois nublada. Saí pra dar a minha caminhada, e na floresta do Silvestre estava tudo verde brilhante, molhado, um cheiro delicioso de terra molhada, e cheiro de tronco também... um pouco de eucalipto, outro tanto de jaqueira, árvores da Mata Atlântica. Um nevoeiro denso cobria o Cristo e a montanha, deslizando pra baixo e chegando à estrada, onde se desfazia lentamente.
Tudo se desfaz. É disto que se trata a vida. Não é incrível como uma madrugada de chuva tão intensa e tão ruidosa pode ter se transformado nesta manhã tão calma, tão fresca, tão quieta, de céu querendo ficar azul?
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