Friday, September 30, 2011

batizado e filme bom

Mario... um tempão que não escrevo. A doença do Nelson. Mes passado as dores pioraram, não sei se foi o frio, não sei se foi a atividade (shows, ensaios etc, não muitos mas teve), não sei se foi a falta de esperança. Por várias vezes geme alto e chora. De manhã e de noite é pior. Cada dia é uma incógnita. Nunca está inteiramente sem dor. E eu fazendo o que posso pra diminuir o seu sofrimento. Nunca estou inteira nas minhas coisas, no computador, ou lendo algum pedaço de jornal, sempre penso que não devo me demorar, porque ele tá na sala sozinho, muitas vezes olhando a TV mas sem ver, e penso- que barra! Vou lá. Estar com ele e fazer companhia. E na angústia desta situação fico triste, fico passiva, fico amorfa, fico opaca por dentro, mas brilhante, ativa, alegre por fora, pra dar o melhor de mim pra ele.

Vivo a doença do Nelson e penso na tua morte. 

Vivo a doença do Nelson e penso na tua morte. Penso na tua morte o dia inteiro, o tempo todo. Penso como é tênue a linha entre o vivo e o morto. Se ce tivesse aqui naquela noite, não tivesse subido por uma razão qualquer, ce taria vivo. Se ce tivesse jantado com algum amigo naquela terça, se tivesse visitado alguém, ce taria vivo. Falamos no telefone umas horas antes, ce me ligou agradecendo o depósito, e falamos com muita ternura. Por que não tivemos uma premonição??? por que não senti uma coisa incômoda e por que não te avisei? porque as coisas não são assim, porque não temos este poder de  controlar tudo, mas eu penso que eu poderia ter salvado a sua vida, mas não poderia NADA. Quando desliguei, me senti tão feliz em ter falado contigo, senti um aconchego, um carinho. Fiquei muito feliz mesmo. Aquela noite continuou a chover aqui, mas não foi grande coisa. No dia seguinte, vimos na TV que tinha havido um estrago em Friburgo, mas nada tão catastrófico. As notícias foram chegando aos poucos. Cada vez pior. E o resto, ce já sabe.

Ce vivia falando que somos mais do que somos, que temos o poder da telepatia, podemos prever coisas, é que o ser humano está subjulgado por coisas terríveis, e não vou poder dizer mais aqui porque nunca entendi isto, e como vou escrever sobre algo que não entendi, nem uma vírgula, e também não concordo...

Teve o batismo da filha da Tania, sua sobrinha. Ela se chama Julia. Muito linda. Eu fui, e acho que foi bom pra nós todos. Mas foi estranho estar com a sua família, que conheço há 40 anos, e sempre através de você, e você, cadê? foi stranho, stranho... Milton foi comigo pra me dar um apoio. Acho que ainda não to preparada para este tipo de enfrentamento. 

Teve um filme ótimo que fui ver, Um Conto Chines. Tudo a ver com o que aconteceu contigo, comigo, com Nelson neste ano. Adorei ver. Começa com esta cena: um barquinho num lindo lago plácido, um casal jovem apaixonado namorando, o rapaz se vira pra pegar as alianças que seriam trocadas com a amada, iriam noivar, depois casar, plenos de futuro com planos lindos e esperanças pela frente, quando uma vaca cai do céu bem em cima deles, bem em cima de nós, que estávamos nas nossas casinhas, num lugar tranquilo, cheios de vontade de viver, cheios de planos e esperanças para o futuro de nossos dias... ai ai... de um segundo pra outro, a nossa vida muda radicalmente. O que fazer agora? what to do? como sobreviver? pedaços de nós mesmos, nunca mais o inteiro...

No comments: