Sunday, March 13, 2011

operação à vista

Mario, Nelson vai operar na terça. Ce deve estar sabendo disto (sempre imagino que ce tá num lugar lá em cima, de onde dá pra ver tudo que se passa, como um deus... sei lá... mas imagino isso). 

Tudo começou com o aparecimento daquelas bolinhas bem embaixo da orelha- região que havia sido operada em 2008. Aliás, foi na consulta do dia 10 de janeiro que soubemos desta recidiva- te liguei quando chegamos em casa e te contei, e por isso decidi mudar os planos: eu iria no dia seguinte pra Friburgo, mas preferi ficar com Nelson, estávamos abalados com a notícia... Mal sabia eu que dali a 2 dias iria acontecer uma coisa muito mais terrível, muito mais traumatizante, muito mais tenebroso, muito mais cruel, muito mais assustador, muito mais, muito mais... e foi por causa deste detalhe que parece pequeno que eu não estava ali contigo na hora que desabou tudo, isto não é esquisito? mas isto é um outro assunto, pra uma outra vez.

Mas Nelson vai operar na terça, e to com medo das dores matinais dele. Ele passou a tomar a metadona de 6 em 6 horas, mais o paracetamol, e mesmo assim quando levanta de manhã as dores são violentas, e só conseguem ser controladas por volta do meio dia. E eu, que estou do lado, assistindo isto, fico em agonia... uma sensação de impotência porque não posso melhorar a sua dor, não posso curar a sua dor, não posso fazer nada senão dar carinho e estar do lado. Quando ouço seus gritos, seus gemidos altos, seu choro com lágrimas escorrendo dos olhos, se eu estiver lavando um prato, ou estendendo uma roupa, ou cortando uma cebola, tudo que faço, faço malfeito, faço de qualquer jeito, faço com pressa, com agonia, com angústia, querendo acabar logo, e correr pra onde ele está pra dar um apoio moral pelo menos.

Tem uma coisa que ajuda, não sei porque, mas melhora. Sempre que coloco a mão ali no diafragma, a dor diminui. Calor? vibração? tem aquelas seitas que curam pela imposição das mãos (mahikari, messiânica etc), tem a radiestesia, reiki,  sei lá...
talvez tenha um fundamento. Então eu fico alerta, sempre que ele está em crise, to lá eu com a mão tentando aliviar a sua dor. E alivia mesmo. Então não me sinto tão impotente assim. Mas muitas vezes não dá pra chegar nem perto, que ele se contorce todo.

Mario Mario Mario... não acredito que não posso ligar pra você e contar isto tudo, como sempre fiz, pra desabafar, pra ce me ajudar, não acredito que não posso contar mais com a sua força... como foi que aconteceu isto? como foi como foi como foi? é de enlouquecer....

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