Saturday, March 26, 2011

sonho, coisas e bubu

Um sonho: eu tava em Friburgo, na casa desta senhora que não conheço. Era hora de eu voltar pro Rio, mas não queria porque era Carnaval, e não queria enfrentar a Rodoviária- que detesto- no Carnaval, bem dentro da confusão toda. Então resolvi dormir mais uma noite lá. Sentei em frente a uma mesa, e de repente, com o rabo do olho, olho pros fundos da casa, e vejo um tobogã de barro. A casa onde eu estava era a sua, e onde era o morro virou esta encosta que desceu e estava vermelha de barro. Acordei no susto, e fiquei mexida na cama e senti que eu precisava ir lá pra ver como ficou, senão vou ficar a vida inteira sem acreditar...

Pois é, meu amigo, as coisas continuam. Nelson acabou de acordar neste instante, ouço-o gemer no banheiro. Ai! ai. ai. ai. De manhã é a pior hora. Esta noite não dormi o suficiente. Ele acordou com muita dor às 5, tomou remédio e dormiu de novo, eu não consegui, então to acordada desde 5. Agora são 8. 

Coisas que me lembram você, a cada vez que os pego: o corrimão da escada, que fiz sob sua orientação. O seu corrimão de Friburgo era tão perfeito, ininterrupto, macio de deslizar a mão, e tão simples e de bom gosto. Um corrimão de metal, só isso, mas muito bem feito. O meu não é nada assim, ainda falta pintar, mas são tres pedaços. A panela de barro que uso pra fazer arroz integral todos os dias, junto com a coleção toda que ce trazia nas vindas pro Rio, compradas em Itaboraí. O durepox na pia inox da cozinha, que se soltou toda e era uma verdadeira arma, cada vez que a mão distraidamente passava pela beirada: você que deu a idéia e até ia colocar, mas eu coloquei antes e funcionou até agora, nunca mais houve mortos e feridos hehe... Lavar louça: sempre a vida inteira lavei louça, mas agora quando lavo, me lembro de você, que aqui em casa nunca deixava nenhuma suja na pia. Ce dizia que a pior coisa era acordar de manhã e encontrar a pia com louça suja. E ce lavava naquele ímpeto tresloucado, molhando tudo em volta, empenhadamente, com força, meio impacientemente mas de uma maneira altamente eficaz. 

Não sei se já te contei, mas o Bubu se acidentou. Milton foi um dia lá no quintal levar a comida, e ele estava no chão. Desde que aprendeu a voar, ele chegava lá do alto, às vezes bem lá do alto do céu, onde fica a turma dele de urubus sobrevoando, mas ouvia o Milton bater o pratinho e lá vinha ele até planando até chegar ao chão. Pois há umas 2 semanas atrás ele não é visto voar, e numa atitude diferente, como se estivesse se guardando, meio apreensivo. E num dia aí Milton o viu vomitando. Desde quando urubu vomita???? esta é a primeira vez que ouvi falar isto. Só se for isto: ele foi criado a carne moída fresca, banana e flocos de quinoa, aí se juntou à turma quando aprendeu a voar, e a turma vai lá pra Gramacho, ou prum cavalo morto em Caxias, sei lá... aí alguma coisa não fez bem ao seu requintado aparelho digestivo, tadinho... O que me faz pensar: ele nunca vai ser um igual aos seus. E tudo começou naquele dia que ele caiu do ninho, e Milton o encontrou de noitinha e nem sabia o que era aquilo, porque não dava pra ver direito, aquele bicho todo fofinho branquinho (nem tinha pena ainda, e nem era preto). Destino.






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