Ontem fui com Nelson, o médico da dor sugeriu que ele fizesse uma fisioterapia chamada TENS. Com adesivos, colam uns fiozinhos e ligam uma máquina, e ele vai sentindo uns choquinhos, e vai dando uma amortecida, um formigamento, uma anestesiada na região afetada. Havia sido uma semana tão difícil, eu estava apavorada, desesperançada, chorando atoa, mas sempre sem ele ver, sem ele notar, porque o que ele vê que vem de mim é otimismo, alegria, cantoria, bobagens, muito carinho, e leveza no ar. É o que mostro pra ele. E mesmo por dentro, penso positivo. É a única maneira de encarar este tremendo desafio que me foi arremessado. Não pensar, não procurar coisas sérias- filme, livro, papos- e acima de tudo, acreditar em milagres.
O que está acontecendo já é um milagre. Hoje por exemplo, depois desta semana de tanta dor, tanto física como psicológica, Nelson fez bases e taichi, enquanto eu saí pra caminhar (dormi no outro quarto e dormi tão bem, que consegui dar a minha caminhada matinal). Há muito tempo que ele não faz exercício, e isto é tão bom, é uma prova pra quem pensa que já não há mais nada a fazer: ele pode reverter a situação, e aos poucos conseguir sua energia de volta, seu corpo... eu acredito, e só assim posso conviver com esta situação. De outro jeito, nada. E mais: ainda foi para um almoço político com o Jorge, e tocaram!!!! mas uma coisa depende da outra: pra ele estar bem precisa tocar, e pra tocar, precisa estar bem. Estar bem é estar com pouca dor.
Queria ter a fé da Ilda. Ela crê que pra Deus não existe milagre, Ele pode tudo. To fazendo força pra acreditar também, e to quase conseguindo. Ela foi no fim de semana passado pra Conselheiro Paulista numa caravana católica de sua igreja, evento focado nas curas impossíveis, e aí pediu pra eu escrever pedindo cura pro Nelson, que ela poria lá, ela mesmo fez isto, mas se eu escrevesse, ia ser ainda mais forte. Peguei uma folha em branco, perguntei mais ou menos como me endereçar a Deus (nem sei rezar direito, quanto mais escrever pra Deus...) e coloquei:
“Peço a Deus que acabe com as dores do meu marido Nelson, e que o cure do câncer carcinoma adenoide cístico com metástase no pulmão e pleura. Ele merece, pois é um homem bom, esforçado, e que nunca faria mal a ninguém”.
Soa como coisa de novela, mas foi o melhor que pude fazer. E quem sabe algo já esteja acontecendo? que bom seria se fosse assim. Será que é? bem... caravana ou fisioterapia, tudo que puder ser feito, será.
Soa como coisa de novela, mas foi o melhor que pude fazer. E quem sabe algo já esteja acontecendo? que bom seria se fosse assim. Será que é? bem... caravana ou fisioterapia, tudo que puder ser feito, será.
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